É notável que os filmes e jogos de videogames estão cada vez mais realísticos, a indústria busca com todas suas forças esta “realidade”, afinal quanto mais “real” for seu produto, mais longe deixa seu consumidor da verdadeira e “perigosa” realidade. Com os novos jogos FPS, MMO e Free-for-Play milhões de pessoas, geralmente jovens, constroem verdadeiras vidas sociais online, passam horas e mais horas conectadas a milhões de outras pessoas virtuais e acabam não percebendo que só quem tem vida social de verdade é seu personagem no jogo, pois sua vida social real já está completamente refém da indústria. No videogame somos heróis para que realidade não sejamos exatamente isso, no cinema não é muito diferente, minha geração foi encantada por filmes com “espetaculares lutas contra o sistema” para saciar nossa sede pela transformação superestrutural que necessitamos. Não há como assistir The Matrix, Fight Club, Equilibrium ou Tropa de Elite 2 sem sair da sala com a incrível sensação orgástica alheia de ver o herói da tela causar uma verdadeira ruptura no sistema, porém é justamente ao regozijarmos o gozo do herói fictício e que perdemos o time para começar as ranhuras aqui necessárias, de certa forma a ficção torna-se a realidade e a realidade uma ficção que escorre por entre nossos dedos. (Filósofo Fabio Goulart – Da página Filosofia Hoje)
sábado, 23 de novembro de 2013
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
iPhone, Galaxy ou aquele que eu realmente preciso?
Como usuário comum de telefones celulares não sei identificar as diferenças entre um Samsung Galaxy SIII e de um SIV, nem de um iPhone 4 para um 5. Para falar a verdade nem sei apontar as diferenças dos telefones da Galaxy da Samsung e os da linha iPhone da Apple. Ok, ok, é o sistema Android, mas o que isso significa? Essas diferenças não ficam claras nem quando vejo as peças publicitárias dos aparelhos, afinal são diferenças técnicas e as propagandas geralmente tentam atingir-me pelos sentidos. Como foi dito por Adorno e Horkheimer “A cultura é uma mercadoria paradoxal. Ela está tão completamente submetida à lei da troca que não é mais trocada. Ela se confunde tão cegamente com o uso que não se pode mais usá-la. É por isso que ela se funde com a publicidade.” Para consumidores como eu, que creio que somos a maioria, empresas com Samsung e Apple investem milhões na indústria cultural, desta forma não somente os protagonistas do filme usam estes aparelhos, mas como durante a exibição da película propositalmente ele faz o uso de funções que só são possíveis no modelo mais novo. Só daí as diferenças tonam-se diferentes pra mim e num surto consumista penso ter a necessidade da troca de aparelho, e antes mesmo de sair da sala de cinemas me imagino com a “novidade” em mãos, ou seja: finalmente me condiciono passivamente à rebaixada posição de objeto consumidor. Como muito bem dito por Adorno: A velha experiência do espectador de cinema, que percebe a rua como um prolongamento do filme que acabou de ver, porque este pretende ele próprio reproduzir rigorosamente o mundo da percepção quotidiana, tornou-se a norma da produção. Quanto maior a perfeição com que suas técnicas duplicam os objetos empíricos, mais fácil se torna hoje obter a ilusão de que o mundo exterior é o prolongamento sem ruptura do mundo que se descobre no filme. (Filósofo Fabio Goulart – Da página Filosofia Hoje)
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Indústria Cultural e Obsolescência Programada
A prática da obsolescência programada teria surgido ainda na década de 1920 quando empresas automotivas como a General Motors tentavam implantar o hábito da troca frequente de carros em seus consumidores para desta forma movimentar mais rapidamente a engrenagem econômica. Com isso os automóveis perderam qualidade e o desenvolvimento tecnológico saiu do campo da necessidade para se tornar exclusividade dos interesse das grandes empresas do ramo. Hoje isto é ainda mais claro na indústria automotiva, se olharmos a um modelo ainda na fase de protótipo, veremos um carro extremamente bonito e cheio de novas tecnologias, porém quando este mesmo carro chega em sua versão comercial está pobre, com tecnologia defasada, e com muito pouco da agressividade do desenho do protótipo. Isso ocorre porque cada modelo é explorado comercialmente seis anos em média, para gerar a necessidade da troca anual ou no máximo a cada dois anos do automóvel a indústria despeja anualmente as novidades que não são novas, pois já eram previstas no protótipo, porém foram propositalmente deixadas de lado para que todo ano exista a atualização daquele modelo no imaginário do consumidor que tem seu produto obsoleto em pouco tempo, fato que infla uma falsa necessidade de consumo e produção, mas que acima de tudo movimenta a máquina capitalista por cima dos indivíduos consumidores que são tratados como idiotas neste processo. O novo não é novo propositalmente. A fusão disso com a indústria cultural ocorrem com o herói do cinema ou da televisão que dirige sempre o último modelo da série mais completa de determinado veículo, muitas vezes o modelo usado é até mesmo o protótipo cheio de estilo e novidades, há casos até em que o carro assume o papel de protagonista do espetáculo como nas séries Transformers e The Fast and The Furious. Por fim, o processo do casamento da indústria cultural com a obsolescência programada se dá com o novo hit de verão, onde o músico pop canta a maravilha que é ter o novo carro é como isso lhe ajuda nas conquistas amorosas e no resto de sua vida sem responsabilidades rodeada de bebidas caras, curtição, e dinheiro. Seguindo esta fórmula normalmente o marketing costuma ser bem sucedido e os lucros nas costas dos tolos consumidores são grandes para todas indústrias envolvidas. Passam-se os anos e o processo se repete: O novo que não é tão novo torna-se brega pra que um outro novo não tão novo se torne novidade; Assim sendo o Camaro amarelo da década de 2010 é ao mesmo tempo tão novo e tão brega quanto o Fuscão preto da década de 1970. (Filósofo Fabio Goulart – Da página Filosofia Hoje)
domingo, 17 de novembro de 2013
A Indústria Cultural e sua Incorporação Esterilizadora
A indústria cultural tem se especializado em um processo que chamo de incorporação esterilizadora. Por mais autônoma que possa ter sido a criação de uma ideia não demora muito para que seja incorporada e esterilizada. Sempre que surge uma obra, teoria ou movimento contra ou neo cultural esse mesmo é rapidamente pegue pela indústria cultural, tornando sua força transformadora em força geradora de lucros. Em troca da esterilização de suas ideias o artista recebe o reconhecimento público, muito dinheiro e a bajulação que é marca característica aos “bem sucedidos”, em contra partida o obra é rebaixada a produto cultural, muitas vezes: kitsch de mal gosto. Nos acostumamos a ver as sinfonias de Beethoven associadas a cafonas peças publicitárias, o estilo cubista de Picasso associado a automóveis familiares, camisetas com o rosto do revolucionário Che Guevara vendidas para jovens de classe média, contrapesos de papel imitando as esculturas de Rodin, etc. Ao ser incorporada uma obra se potencializa e consegue atingir um número cada vez maior de pessoas, porém tem sua força dissipada e causa muito menos efeito que seu idealizador possa ter pensado. Esta é uma troca necessária para a lógica de dominação do sistema vigente, pois mantem sobre controle qualquer ideia transformadora. É uma troca geralmente tão bem feita que o artista idealizador muitas vezes nem percebe que está fazendo e quando finalmente percebe, muitas vezes resta-lhe apenas a loucura, os vícios e a morte. (Filósofo Fabio Goulart – Da página Filosofia Hoje)
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Por que as pessoas emburrecem
Com medo de tornarem-se relativas as pessoas vão lentamente migrando para posições dogmáticas até o ponto em que se julgam esclarecidas e tornam-se incapazes de receber os dados que não lhe interessam, mesmo que tais dados sejam claros e evidentes. (Filósofo Fabio Goulart – Da página Filosofia Hoje)
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Individualismo e Depressão
Duas coisa me são cada vez mais evidentes sobre o homem moderno\contemporâneo e nossa vida em sociedade: (1) Por mais que a vida em sociedade evolua de tal maneira que nos possa sempre trazer cada vez mais conforto e segurança, quanto maior a oferta de entretenimento, maior é possibilidade de tédio, que fermentado nos leva a depressão que é a morte em vida; (2) A coletividade nos defende, mas invés de nos juntar ela nos isola, nos torna genéricos e raquíticos, o coletivo se fortalece do enfraquecimento do individual. Estas duas máximas me parecem antigas e fatais. Por isso patologias como individualismo e depressão são sempre cada vez mais comuns. (Filósofo Fabio Goulart – Da página Filosofia Hoje)
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Desconfiança Filosófica
O pensamento filosófico causa desconfiança na razão ingênua ou instrumental – e muito mais na razão ideológica das verdades petrificadas -, aquela que, travestida de filosofia, desvia a atenção filosófica para âmbitos menos perigosos a uma determinada estrutura intelectual de sustentação hegemônica. E se o pensamento filosófico não causar essa desconfiança, ele não existe como tal, mas como caricatura perversa de si mesmo. (Filósofo Ricardo Timm Souza – Filosofia Hoje )
sábado, 9 de novembro de 2013
Sonhos Impossíveis
A palavra “impossível” nunca teve tanta força quanto hoje detêm. De “impossível” são chamados todos os sonhos que a sobra dos indivíduos pode sonhar. Os “sonhos impossíveis” nada mais são do que um impulso de retorno a natureza na tentativa de superar a dominação que se impõe na vida na sociedade administrada, por isso a sociedade administrada faz questão de subjuga-los até que se tornem ridículos frente aos olhos das massas, assassinando-os antes que possam se tornar realidade. Restam apenas os sonhos que sobrevivam a tal imposição autoconservatória se submetendo a ela. Fomos educados e escravizamos nossa razão para isso. Para este comportamento onde o novo só é permitido quando previamente calculado e autorizado damos o nome de “bom senso”. Infelizmente o “bom senso” tem a força não somente de um princípio moral, mas também de um princípio norteador para toda nossa produção intelectual: Nem mesmo a ciência e filosofia escapam deste jogo. O ‘Novo’ além de perigoso tornou-se Impossível. (Filósofo Fabio Goulart – Da página Filosofia Hoje)
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