domingo, 4 de agosto de 2013

TRÊS TESES SOBRE A VIOLÊNCIA (Texto)

Abaixo segue o texto de um dos maiores intelectuais brasileiros em atividade. Trata-se do filósofo Ricardo Timm de Souza. Neste ensaio, ele trabalha a questão da violência deste sua gênese filosófica à suas implicações biopolíticas. Vale a pena ler.

TRÊS TESES SOBRE A VIOLÊNCIA

CONSIDERANDO que o racismo é o medo elevado à exponencial do preconceito e, portanto, uma forma particularmente virulenta de violência, seguem 3 teses sobre o assunto.


Primeira tese sobre “Violência versus Alteridade”: “Tudo aquilo que entendemos por violência, em todos os níveis, do mais brutal e explícito à violência coercitiva e socialmente sancionada do direito positivo, e, inclusive, a violência auto infligida, repousa no fato exercido de negação de uma alteridade”.

A violência, no sentido aqui proposto, se constitui na medida em que se exerce, desde um polo de decisão individual ou social, de forma consciente ou em contextos que sugerem inconsciência, atos que negam a condição de “outro” do outro, ou seja, daquele que não pertence ao polo de decisão. A isso chamamos “negação de uma alteridade”: a tentativa de neutralizá-la enquanto tal, aniquilá-la ou reduzi-la ao campo próprio de decisão do “mesmo”, da Totalidade autorreferente que tem a posse do discurso e a força para exercer o seu poder.

Segunda tese sobre “Violência versus Alteridade”: “Não é possível compreender as infinitas manifestações da violência a não ser superando a fragmentação intelectual-emocional a que essas induzem por seu próprio acontecer. Assim, a maior das violências consiste em velar os vínculos profundos que qualquer ato violento tem com qualquer outro ato violento”.

As infinitas formas de manifestação da violência no mundo contemporâneo não se dão com a mesma transparência à visibilidade. Em todos os níveis da vida contemporânea ocorre o exercício de formas múltiplas de negação da alteridade. Porém, enquanto algumas dessas formas são claras, inequívocas e exploradas socialmente, outras (por exemplo, a violência econômica) permanecem no campo de uma pretensa “naturalidade” – ou de uma “neutralidade”- à qual seria impossível escapar, realimentando assim o ciclo da própria violência. O início da compreensão do sentido que a violência assume no mundo atual passa pela compreensão dessa que é a “maior” de todas as violências: a desconexão entre a infinita cadeia de fatos que são, todos, expressões e traduções as mais diversas da mesma estrutura de negação da alteridade por um polo poderoso e totalizante de decisão.

Terceira tese sobre “Violência versus Alteridade”: É possível pensar que a desarticulação da racionalidade violenta passe pelo questionamento radical de certos postulados da razão tidos como intocáveis pelo esclarecimento moderno e que, , pregando a unidade racional da razão, na verdade acobertam a violência exercida contra outras racionalidades possíveis e reais”.

É o caso de certos lugares-comuns do imaginário sócio histórico moderno, como a promulgação da igualdade por sob a égide da razão, dada a um cérebro capaz de apreende-la por inteiro. Se isso era concebível a um Descartes, nas auroras da modernidade, Camus nota que os discursos da igualdade, não obstante toda a importância histórica que tiveram, necessitam da revisão profunda em termos de situação sócio histórica contemporânea, pelo menos desde as grandes catástrofes do século XX – “a cada razão se pode opor outra razão”. As indicações de nosso tempo estão a apontar para a difícil transposição de um modelo de igualdade promulgada – onde, de fato, se acobertam os mais iguais que outros – a um modelo de diferença exercida – onde, de fato, nenhum particular sucumba por sob as imposições de algum tipo de razão onisciente, ainda que bem-intencionada. É esse o tempo que vivemos, e por isso ele é tão difícil e exigente: ele exige a sua reconsideração na sua totalidade de sentido.

Conclusão

As bases da cultura ocidental encontram-se corroídas há muito tempo. A totalidade da violência – que se expressa, por exemplo, em um modelo sócio-político-econômico suicida, que se totaliza em torno à sua própria razão, ignorando tanto os argumentos tradicionais como os fatos absolutamente visíveis a qualquer um, por exemplo, onde interesses meramente econômicos se sobrepõem a todos os outros (veja-se a questão sobre a conferência de Kyoto) – essa totalidade exige uma incisividade de abordagem que as ferramentas da tradição são incapazes de fornecer. Somente os tempos atuais, na voz para além da centralidade da totalidade, têm a possibilidade de encontrar saídas para seus próprios impasses, e essas saídas passam pela reconsideração profunda do que seja a racionalidade propriamente dita. E essa reconsideração aponta no sentido de que a racionalidade é, em sua base de significação mais grave e primogênita, exatamente a (racionalidade) ética – o respeito indeclinável à alteridade do Outro em todos os sentidos e dimensões. Sem essa reconsideração, corremos o risco de, com as melhores intenções e armados da mais aguda inteligência, nos tornarmos coadjuvantes inocentes do suicídio coletivo do maior império da história da humanidade.

Nossas crianças sempre sofrem...


sábado, 3 de agosto de 2013

Heidegger escreveu uma carta para Marcuse dizendo o motivo principal que o levou filiar-se ao Nazismo: o "perigo" do Comunismo. É isso mesmo. Ele achava que a doutrina nazista era melhor do que a comunista. E o pior que tem muita gente que acredita nisso ainda hoje. São os mesmos que pensam que bandido bom é bandido morto, que só é pobre quem quer, que não se compadece de ver animais sendo maltratados, que não ajuda nem os próprios amigos em momentos de necessidade... Estas pessoas não se sentem mal com nada disso, afinal vão a igreja toda a semana e isso já basta. (Filósofo Jeverton Soares Dos Santos)

Políticos Surdos para esta "Voz do Povo"


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Filosofia Ácida

Vivemos numa era engraçada. Por todos os cantos se insinua que a diferença (pluralidade) é algo bom, que ela mostra a evolução de nossa mentalidade social. Eu concordo plenamente com isso. Não acho que um mundo onde todos pensam iguais, se vestem iguais, agem iguais, etc., seja aceitável hoje. No entanto, eu vejo que por detrás deste discurso oficial que proclama o imperativo do "respeito as diferenças" se mascara uma velha mentira: de que a diferença radicalmente "diferente" daquilo que se espera, não pode ser aceita. Falo isso tendo como base o próprio facebook. Muita gente espera que eu fale e escreva o óbvio. Que eu trate de temas fúteis, vazios e sem relevância existencial nenhuma para ninguém. Eu até poderia escrever posts sobre a poesia escadinava do século III. Talvez muita gente me idolatraria por causa disso, já que saber é poder. Poderia ser como Arnaldo Jabor, Paulo Coelho ou Pedro Bial. Eu teria muitos fãs e até "amigos" se começasse a postar sobre relacionamento, misticismo e "Big Brother". Pois afinal é pra isso que serve a filosofia na cabeça dos tontos: entretenimento depois de um árduo dia de trabalho e reflexão desconexa com a realidade. Mas não!!! EU Sou teimoso. Nego-me fazer filosofia café-com- leite, já que neste tipo de filosofia, o leite está sempre azedo. (Filósofo Jeverton Soares Dos Santos)

Frase de Filosofia - A vida é uma constante mentira... Schopenhauer


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Nietzsche é muito lido hoje, mas pouco compreendido. Tem gente que quer analisar seus aforismos tendo um paradigma pré-estabelecido, tal como o lógico. É impossível entendê-lo logicamente. Sua filosofia é a tentativa feroz de superar o tipo de mentalidade formalista. (Filósofo Jeverton Soares Dos Santos)

O monte de corrupção é só o começo...