terça-feira, 20 de dezembro de 2011

2.8 A COMUNIDADE E A INVESTIGAÇÃO


     O próprio termo “Comunidade de Investigação” carrega em si algo de
paradoxal. Isso porque de um lado a “investigação” tem suas raízes em
fundamentos inquestionavelmente sociais, tais como a linguagem, a filosofia, a
cultura a ciência, etc. E do outro lado, a “comunidade” dificilmente tem sua raízes ou
fundamentos ligados à investigação.
     Uma comunidade geralmente está enraizada às suas tradições e o que a
mantém unida é a prática. Esta “prática” dificilmente é a prática da autocrítica ou é
questionadora. Visto que para Lipman toda investigação é uma prática de
autocrítica, totalmente exploratória e questionadora; toda investigação está
fundamentada na comunidade, mas geralmente a comunidade não está

fundamentada na investigação.26(LIPMAN, 1995, P. 331)

     O conceito de “diálogo” em Martin Buber nos diz que em um diálogo cada um
dos participantes realmente tem em mente o outro(s), o considerando enquanto ser
único e pensante, onde todos envolvidos se voltam uns aos outros com a intenção
de estabelecer uma relação mutuamente estimulante para todos os

lados.27(LIPMAN, 1995, p. 341) Assim sendo, quando for usado o conceito ‘diálogo’

e o contexto for uma Comunidade de Investigação, deve-se pensar em algo muito
diferente e mais complexo do que um mero debate onde cada pessoa trata a outra
como uma posição e não um indivíduo, ou que um bate-papo informal.
O conceito de Buber é muito útil para ajudar na investigação da distinção
entre aquilo que é uma Comunidade de Investigação e aquilo que apenas se diz ser.
Mas é evidente que apenas este conceito não é suficiente para esgotar o total
sentido de ‘dialogo’ em Comunidade de Investigação.
      As Comunidades de Investigação caracterizam-se pelo diálogo disciplinado
pela lógica, isto significa dizer que seus participantes devem raciocinar a fim de
acompanhar tudo o que esta ocorrendo em seu interior. Uma vez lançado um
argumento, a investigação deve seguir a sua trilha e sempre que chegar a uma
conclusão sobre alguma inferência, esta conclusão nunca pode ser encarada como
um ponto de chegada, mais sim como um ponto de partida. Um ponto de partida

para uma nova investigação acerca dos pressupostos e fundamentos não ditos na

inferência investigada, ou em outras palavras, uma busca por tudo aquilo que foi
desprezado ou ignorado durante o caminho trilhado.
     No diálogo lógico investigativo da Comunidade de Investigação cada
movimento desencadeia uma sequência de novos movimentos tanto confirmatórios,
quanto contrários às determinações que possam ser apresentadas. É exatamente
através deste movimento de encarar as determinações apresentadas em sala de
aula nunca como verdades absolutas, mas sim como fundamentos para novas
suposições, questionamentos e investigações; que a Comunidades de Investigação
se apresenta como um modelo interessante para tornar a Escola uma instituição
realmente prática em relação à produção de novas tecnologias e conhecimentos.
Mais do que isso, toda aquela estrutura regrada onde, entre outras coisas, o
conhecimento é visto como uma série de informações prontas acerca de fatos que
muitas vezes não possuem nenhuma relação com a vida e os interesses dos alunos,
simplesmente deixa de existir. Diríamos que o ambiente escolar se revela como uma
inesgotável fonte de ‘sempre novo’, aberto a um universo de indeterminações,
questionamentos, perspectivas e descobertas tal como o ambiente familiar se revela
para o bebê nos primeiros quatro anos de vida.
      É necessário salientar mais uma vez que em uma Comunidade de
Investigação os conteúdos ditos como necessários para o currículo do Ensino
Fundamental e médio não são abandonados. Diríamos que na natureza
paradigmática da educação padrão eles são encarados de maneira quantitativa e
acumulativa, enquanto no paradigma da prática crítica são encarados de maneira
reflexiva, crítica, lógica e dialógica.
      Como foi revelado através de minhas vivências relatadas no primeiro capítulo
deste trabalho, as radiantes e curiosas crianças do início da vida escolar não se
tornam os desestimulados e sem interesses adolescentes do final do Ensino Médio
devido à evolução biológica ou psicológica natural que ocorrem nesta fase da vida.
Também não é devido à natureza da Escola enquanto instituição, afinal durante toda
vida escolar as crianças continuam indo à Escola para aprender. O que torna a
Escola chata e desinteressante é a maneira estruturada com que as coisas

acontecem e com que os conteúdos são abordados. Se aquilo que se busca é umaeducação mais interessante para os alunos, mas saudável28 para a sociedade e

gratificante para os professores, devemos tornar naturais os poucos incentivos que
as crianças e os adolescentes podem encontra para continuarem frequentado a
Escola, ou seja, a possibilidade da ascensão social e o prazer de interagir com os
colegas.
      Fica evidente que uma das principais características da Comunidade de
Investigação é que preza e busca sempre o máximo de integração entre os alunos.
Isso pode parecer pouco, mas o fato é que a educação tradicional acaba por
repreender e essa integração e isso leva os alunos a perderem não só o ânimo de ir
a Escola, como a Escola caba por perder a incrível capacidade que as crianças e os
adolescentes naturalmente possuem de serem curiosos e comunicativos. Devido a
isso, o modelo proposto por Lipman é muito promissor quando falamos em
aproveitar a vontade de se socializar natural do ser humano nesta fase da vida.
      Quanto à questão da ascensão social, julgo que muitos jovens perdem suas crenças
de que podem mudar a suas vidas para melhor através da Escola não devido à falta
de incentivos de suas respectivas famílias ou pelas obrigações sociais que a vida
possa lhes impor, julgo que o principal motivo pela perda dessa crença ocorre na
própria Escola, que costuma constantemente tirar qualquer esperança que uma
criança pode ter de que seu pensamento é único, importante e que pode contribuir
decisivamente na transformação construtiva de sua realidade social.

 Este texto faz parte do trabalho chamado “Crítica a Escola” escrito por mim, Fabio Goulart. Para fazer o Download do trabalho Completo CLIQUE AQUI. Todos os dias será postado um novo texto deste trabalho aqui no site! Boa Leitura!
26 O próprio filósofo se diz ligeiramente surpreso pelo fato de dois conceitos que geralmente não são
encontrados juntos (comunidade e investigação) serem a base de sua “filosofia da educação”
27 Lipman apresenta este conceito, porém ele é melhor abordado pelo próprio Martin Buber. (BUBER,

1979)28 Talvez este termo não tenha ficado muito bem nesta frase, mas faz mais sentido utilizar o termo

‘saudável’ do que usar o termo ‘útil’ neste momento. Isto porque não estou querendo dizer que a
Escola deve ser utilizada tal como uma ferramenta na mão da sociedade. Estou querendo dizer que
os alunos devem sair mais aptos a exercerem seu papel ativo em uma sociedade democrática do que
saem se receberam uma educação conservadora.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Feliz Natal e Boas Compras

Pois no final das contas...
 acho que é isso que realmente importa para a maioria das pessoas.
Quando encontrar o tal “espirito de natal” à venda,
favor me informar quanto é que custa.

Se Refletiu, COMPARTILHA!

2.7 CURRÍCULO RACIONAL

     Geralmente quem elabora um currículo o elabora para alunos do ano ou nível


que utilizarão este currículo. Teoricamente ele é elaborado com conteúdos que


estão sempre um nível acima em relação ao nível que os alunos se encontram.

Estes supostos níveis são estabelecidos através da reunião de dados e informações

empiricamente verificáveis acerca do conteúdo aplicado em sala de aula. Lipman

considera que as associações que são feitas entre crianças de um determinado ano

e as mesmas crianças no ano seguinte, são puramente causais e não lógicas.

     Devido a isso, o currículo que for concebido utilizando-se destes pressupostos não

demonstrará nenhum desenvolvimento racional de ano pra ano. Estará apenas

despejando novos conteúdos e aumentando o vocábulo dos alunos. Mesmo se os

alunos demonstrarem algum crescimento lógico entre um ano e outro, este

crescimento será atribuído ao desenvolvimento psicológico normal em crianças

desta idade:

                                                       “Fabricantes de currículos, ao que tudo indica, habitam um universo onde

                                                         existem estágios de maturação e não uma elaboração da racionalidade.

                                                        Assim sendo, não há necessidade de se colocar em risco a boa ordem das

                                                       coisas através de uma introdução supérflua de operações lógicas
                                                       sequenciais.”24(LIPMAN, 1995, p. 321-322)

     Para a elaboração de um currículo racional, primeiramente é necessário crer

que os alunos reagem de acordo com a maneira de são tratados. Assim sendo, se

forem tratados como seres desinteressados e acríticos, tenderão a ser

desinteressados e acríticos, “trate-os como idiotas, e nos darão muitas provas de

que estamos certos”. (LIPMAN, 1995, p. 322)

      Mais do que apenas crer que se forem tratados como seres inteligentes e

racionais os alunos tentarão, com toda certeza, ser seres inteligentes e racionais, os

responsáveis pela elaboração do currículo escolar devêm tornar tais currículos

lógicos e racionais, abandonado os currículos tradicionais que preveem uma

evolução mecânica baseada em níveis observacionais e no despejo e absorção dos

conteúdos.


     Depois disso é necessário que se de busque as habilidades que antecedem

as habilidades cognitivas, para que se estimulem primeiramente práticas primitivas

que irão permitir que os alunos apliquem habilidades superiores em um próximo

nível:

                                            “Se[...] queremos que os alunos descubram as semelhanças entre coisas que

                                            são muito diferentes e dessemelhanças entre coisas que são muito

                                            parecidas[...] primeiro devemos fortalecer sua capacidade para discernir

                                            semelhanças e diferenças em geral.[...] envolvê-los na realização de

                                            comparações.[...] consequentemente[...] irão discernir aspectos entre coisas

                                            iguais e aspectos entre coisas que não são iguais, e aprenderão também a

                                            utilizar os critérios fundamentais de identidade e diferença.” (LIPMAN, 1995,p. 322)

     Ao contrário do currículo tradicional que é afirmativo e positivo, o currículo

racional deverá enfatizar o negativo. Ele deverá primar pelas diferenciações, pelos

questionamentos, pela coragem de explorar novas alternativas e pelo ímpeto de

discordar. Só assim atingirá o objetivo de capacitar os alunos a apresentarem um

pensar independente.25

     Por fim, é indispensável que o currículo seja elaborado de maneira racional o

mais cedo possível. Lipman afirma que o ideal é que isso seja feito já na pré-escola,

pois nesta fase as crianças estão aprendendo as habilidades sociais que a

Comunidade de Investigação pressupõe, (LIPMAN, 1995, p. 323) só assim os alunos

poderão passar rapidamente para o pensar de ordem superior e lá permanecer por

to sua vida escolar.
 Este texto faz parte do trabalho chamado “Crítica a Escola” escrito por mim, Fabio Goulart. Para fazer o Download do trabalho Completo CLIQUE AQUI. Todos os dias será postado um novo texto deste trabalho aqui no site! Boa Leitura!
24 É evidente o tom de ironia do autor na passagem “[...] não há necessidade de se colocar em risco a

boa ordem das coisas através de uma introdução supérflua de operações lógicas sequenciais”. Com

esta passagem ele tenta mostrar a que ponto pode chegar a não racionalidade na elaboração do

currículo escolar. Também podemos observar que ele utiliza a expressão “Fabricantes de currículos”,

dado ainda mais a ideia que os currículos tradicionais são mecânicos e acrítico.

25 Em nosso país é normal associarmos a ideia de ‘reforma curricular’ com a ideia de ‘acrescentar e

retirar disciplinas da grade curricular’. Julgo que se uma escola se empenhar na busca de tornar seu

currículo racional, certamente irá obter resultados muito mais interessantes do que se ficar esperando

por projetos de lei “milagrosos” que incluam disciplinas “mágicas”.

domingo, 18 de dezembro de 2011

2.6 PROFESSORES, TEXTOS E COLEGAS: SÃO OS EXEMPLOS

     Todo professor sabe da dificuldade que é educar alunos desinteressados.


Como já deixei evidente neste trabalho, o ensino tradicional não tem atrativos e a


maioria dos alunos acaba por ficar desinteressado. Lipman diz que é difícil educar

bem mesmo os alunos interessados quando não se tem as condições favoráveis.

Para termos estas condições favoráveis, necessitamos de um ensino competente,

um currículo adequado e a formação de uma Comunidade de Investigação. Estas

condições não são totalmente independentes entre si:

                                            “Os professores não podem estar preparados em salas de aulas que não

                                             sejam Comunidades de Investigação. Nem tampouco é viável que o objetivo

                                             de tais professores seja ser capaz de trabalhar completamente sem materiais

                                             do currículo ou sem comunidades deliberativas.” (LIPMAN, 1995, p. 307)

     Por tudo aquilo que já foi dito neste trabalho e pela forma com que me

expressei poder-se-ia argumentar que estou tentando dizer que as crianças e os

adolescentes são seres desinteressados e pouco envolvidos com os temas

abordados na Escola e, por causa disso, os professores devem ser verdadeiros
malabaristas, tentado evitar que os alunos se desinteressem frente à estrutura da

educação tradicional. Meu argumento é a antítese desta afirmação. Por tudo que já

foi dito até aqui julgo que as crianças e os adolescentes são naturalmente críticos,
curiosos e investigadores. Basicamente eles são “filósofos natos” 19. Porém, tanto

crianças quanto adolescentes são frágeis e podem se desestimular rapidamente

frente a circunstancias adversas ou quando inseridas em um universo

demasiadamente estruturado. Devido a isso, Lipman duvida da afirmação que basta

criar um ambiente livre e bom que as crianças e os adolescentes se envolverão com

o pensar de ordem superior. (LIPMAN, 1995, p. 317)
     Uma vez que duvidamos desta afirmação da pedagogia não diretiva,20 é

necessário estabelecermos modelos que provoquem o pensar de ordem superior

nos alunos. Dentre os vários tipos de modelo que podem existir, Lipman cita os

seguintes:

     1° Outros alunos como modelo: Crianças costumam usar como modelo o

comportamento de outras crianças. Cada atitude pode ser encarada como exemplar,

assim sendo, se uma criança fica em silêncio, as outras também podem ficar, se

uma criança questiona, as outras podem também questionar, etc. “A pratica de

solicitarem razões entre si ou oferecer contra exemplos desenvolve-se quando a
iniciativa de um aluno serve como razão21 para que outros alunos se comportem de

maneira semelhante”. (LIPMAN, 1995, p. 317)

     2° O texto como modelo: O texto trazido em sala de aula pode retratar, ou até

desvelar atitudes que revelem o pensar de ordem superior. Ele também pode

explicitar ações lógicas ou conceituais de personagens que tomam determinadas

atitudes que podem ser encaradas como modelos para os alunos.22
3° O professor como modelo: De fato o professor é um modelo em sala de

aula, mas não deve ser um modelo tirânico das respostas certas e erradas ou um

modelo de pensador livre e descomprometido. Para Lipman “o professor fornece um

modelo de alguém que transcendeu sem rejeitar as respostas “certo e errado”, no

sentido de estar mais preocupado com o processo da investigação em si, do que

com a resposta que se pode chegar”. 23(LIPMAN, 1995, p. 317)

Fica evidente que se há o desejo que os alunos desenvolvam o pensar critico

e pensem com as próprias cabeças, não se pode priva-los de terem modelos.

Poderia se argumentar que para os alunos terem ideias realmente próprias seria

necessário que não tivessem contato com nada que lhe possam servir como

modelo. Além de esta tese parecer estranha devido ao fato que naturalmente as

crianças utilizam os colegas, os professores ou as personagens de um texto com

modelo, Lipman se mostra extremamente contrário a ela. Para ele os alunos devem

estar rodeados pela maior quantidade e diversidade de modelos que a Comunidade

de Investigação conseguir trazer. Estes exemplos são importantes a partir do

momento que os alunos percebem a multiplicidade de perspectivas que um tema

pode possuir e começam a verificar as diferenças e semelhanças, bem como as

atitudes e consequências que os diversos modelos podem possuir. Com isso

exercitam a capacidade de julgamento para decidir por um modelo em detrimento de

outro e:

                                                         “O que percebemos então é que os próprios alunos abrem mão do seu

                                                        egocentrismo e se entregam ao pensar de ordem superior, como atletas que

                                                        perdem a preocupação com seus papeis específicos em um jogo e se

                                                        entregam inteiramente ao próprio jogo” (LIPMAN, 1995, P. 318)


 Este texto faz parte do trabalho chamado “Crítica a Escola” escrito por mim, Fabio Goulart. Para fazer o Download do trabalho Completo CLIQUE AQUI. Todos os dias será postado um novo texto deste trabalho aqui no site! Boa Leitura!
17 Lipman apresenta um exemplo fictício basicamente igual a minha experiência que foi relatada.

18 Quero com isso me referir aos métodos não questionadores, onde o ouvinte não é instigado à

contra argumentar e expressar suas próprias teorias.
19 Esta frase é basicamente um ditado popular, não se trata de uma afirmativa.

20 “basta criar um ambiente livre e bom que as crianças e os adolescentes se envolverão com o

pensar de ordem superior”

21 Julgo que estas razões podem ser encaradas tanto como razões positivas, quanto como razões

negativas. Isso porque tanto o exemplo de uma atitude de um colega pode ser positiva gerando

atitudes semelhantes no restante da turma, quanto pode ser negativa gerando a crítica imediata dos

colegas ou a simples não aprovação da mesma.

22 Neste sentido me lembro da primeira vez que li o livro “O Mundo de Sofia” de Gaarder,

Jostein.(GAARDER, 2009) À medida que a personagem ia se descobrindo e descobrindo a filosofia,

eu , no auge da minha adolescência, também ia tentando me descobrir e descobrir o mundo da

filosofia. Considero este um bom livro para introduzir o pensamento filosófico e alguma noção da

história da filosofia em pré-adolescentes e adolescentes, afinal ele é uma narrativa bastante

questionadora e pouco conclusiva.

23 Lembro-me que os alunos naturalmente respeitam mais professores que são exemplos no sentido

exposto por Lipman. O que considero curioso é o fato que durante minha vivência escolar tive vários

professores que aplicavam metodologias completamente diferentes e conseguiam arrancar a atenção

e o exemplo da turma. Apenas para citar, tive o rigoroso e diretivo professor Roberto (vulgo: Lobão)

das aulas de ciências no Ensino Fundamental; A bela, sedutora e não diretiva professora Jeani das

aulas de matemáticas do início do Ensino Médio; e a descontraída e divertida professora “mediadora”

Luciene das aulas de português do final do Ensino Médio.

sábado, 17 de dezembro de 2011

2.5 CRIATIVIDADE E DIÁLOGO



     Numa Comunidade de Investigação os diálogos desenvolvidos não são

simples bate-papos ou conversa jogada fora, são diálogos que possuem uma boa

quantidade de disciplina lógica. Porém quando falamos em disciplina lógica, não

podemos imaginar diálogos rigidamente estruturados, incapacitados de permitir

objeções, ou sem abertura para a criatividade livre daqueles que dialogam. O

diálogo na Comunidade de Investigação possui sua disciplina lógica baseada na

busca que todos seus membros devem ter de investigar e de se chegar a algum

lugar a partir daquela investigação.

     O primeiro ano de minha faculdade de filosofia foi bastante complicado,

primeiramente pelo fato não ter tido a disciplina de filosofia no final de meu Ensino

Médio e devido a isto não estar habituado com as discussões filosóficas, também

pelo fato de ter ingressado as forças armadas e estar tendo que conciliar uma

pesada rotina militar com os estudos iniciais de metafísica, lógica, moral e

antropologia. Lembro-me que ficava simplesmente maravilhado com as aulaspalestras

de alguns professores, mas no final não me sentia seguro para fazer

algum comentário ou tecer uma breve tese sobre o que foi abordado. Eu me sentia

pequeno frente ao conhecimento apresentado pelos professores. Existiam também

alguns professores que apresentavam suas aulas não somente no formato aulapalestra.

Eram aulas abertas para o debate e para o diálogo, onde o assunto se

desdobrava a partir de vários pontos de vista e não somente do ponto de vista de

determinado autor ou comentador. Devido esta multiplicidade de perspectivas eu me

sentia mais seguro e em pouco tempo já estava participando da discussão. Também

lembro-me que ficava tão entretido com os debates e diálogos que as horas

simplesmente voavam.

     O método da conferência ou de aula-palestra não é pior ou mais ultrapassado

do que as Comunidades de Investigação, muitas vezes é um método bastante

eficiente e consegue aprofundar muito mais um tema a partir de determinado ponto

de vista do que numa aula debate ou Comunidade de Investigação. O grande

problema da aula-palestra é que quanto mais fascinante e carismática, mais

transforma seus ouvintes em admiradores passivos ao invés de questionadores

ativos. (LIPMAN, 1995, p. 303) Em uma educação baseada no paradigma padrão

este tipo de metodologia parece ser mais do que eficiente e adequada, porém é um
modelo que não incentiva o desenvolvimento do pensar crítico e do pensar criativo.

Devido a isso costuma ser desinteressante e desanimador para as crianças e para

os adolescentes.

     Enquanto as aulas-palestras eram no máximo interessantes, as aulas debate

eram verdadeiras experiências excitantes. Após uma bela palestra eu me sentia

enriquecido por aquele conhecimento, após um belo debate e diálogo eu me sentia
como parte daquele conhecimento.17(LIPMAN, 1995, p. 303) A Comunidade de

Investigação não ensina o aluno a pensar por si mesmo, mas cria um ambiente onde

o mesmo se sente seguro, importante e sábio o suficiente para fazer isso e expor

suas teorias. Por isso mesmo se desejamos aulas de Ensino Fundamental e médio

mais interessantes para alunos e gratificantes para os professores, é necessário
evitar métodos “passivadores”18 como as aulas-palestras e investir em métodos que

capacitem os alunos como indivíduos criadores das suas próprias ideias.


 Este texto faz parte do trabalho chamado “Crítica a Escola” escrito por mim, Fabio Goulart. Para fazer o Download do trabalho Completo CLIQUE AQUI. Todos os dias será postado um novo texto deste trabalho aqui no site! Boa Leitura!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011 - 2011 Review



Gente... Mal posso acreditar mais 2011 já era! Está acabando...
E ninguém mais gabaritado a fazer uma retrospectiva que o Google...
Afinal ele sabe exatamente o que buscamos neste ano que passou...
O vídeo acima fala por si mesmo, assistam e se divirtam relembrando o ano que passou.

2.4 SENSIBILIDADE PARA PERCEBER O PROBLEMA

     Seria injustiça com a maioria dos professores se não fosse salientado que


mesmos nas aulas mais monótonas sempre são feitas perguntas clássicas, tais

como: “Vocês entenderam a matéria?” ou ainda, “Ficaram com alguma duvida?”. E

os alunos cordialmente respondem: “Não temos dúvida querida professora.”

As frases usadas cima são exemplos clássicos e gritantes de como o

professor pode fazer perguntas relacionadas ao assunto e os alunos responderem

sem que isso gere alguma atividade verdadeira do pensar.

Se o processo for totalmente mecânico, ou se o professor trouxer as

perguntas e suas respectivas respostas pré-prontas, provavelmente não haverá

incentivos naturais à prática da investigação e aula correrá o risco de se tornar ainda

mais estruturada e desestimulante para o aluno do que se não houvesse tais

perguntas.

     O professor necessita perceber quais questões serão estimulantes,

interessantes e exigirão a reflexão e a investigação dos alunos. Não existe um tipo

especifico de questões a serem feitas, porém devem ser questões que ponham em

dúvida as certezas dos alunos, que sejam discrepantes ou carreguem em si algo

quase chocante e abominável, algo que não consiga deixar nem o mais desatento

dos alunos indiferente ao que foi dito. Sempre que possíveis, as perguntas devem

surgir da iniciativa dos alunos e quando não existir esta iniciativa, deve partir da

sensibilidade do professor.

      Tal como as aulas e as perguntas realizadas pelo professor devem ser

questionadoras e dinâmicas, o currículo escolar também deve ser. Para isso ele não

pode ser paralisador do pensar, ou se apresentar de maneira clara e inflexível. Para

Lipman, o currículo escolar deve trazer à tona aspectos do tema ainda não

resolvidos e problemáticos, a fim de prender a atenção dos alunos e estimulá-los a

formar uma Comunidade de Investigação. (LIPMAN, 1995, p. 32)


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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Quando vejo o mar


Quando vejo o mar...
Tenho a certeza que posso ser melhor...
fazer melhor... pensar melhor...
escutar melhor... amar melhor...
Talvez o vento não mude, talvez o Sol não volte a nascer...
Mas tenho a certa que posso ser quem eu sou...
Cada vez melhor.