quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

2.3 COMUNIDADE DE INVESTIGAÇÃO




     O temo “Comunidade de Investigação” foi cunhado originalmente por Charles


Sanders e estava restrito a comunidades de cientistas, porém com o tempo o termo


teve seu sentido ampliado para qualquer tipo de investigação. Quando falamos em

Comunidade de Investigação, devemos ter em mente um local onde todos estão

dedicados à utilização de procedimentos semelhantes no desenvolvimento de

objetivos idênticos.

     Para pensarmos a Escola como Comunidade de Investigação, necessitamos

pensá-la com as seguintes categorias:

          1° Um lugar onde os alunos dividem suas opiniões;

          2° Onde as questões surjam a partir das ideias dos alunos;

          3° Onde existam debates honestos sobre opiniões não apoiadas;

          4° Onde um aluno ajude o outro na compreensão daqui lo que foi informado

ou acrescentado por um colega, ou pelo professor;

          5° Onde a discussão não está limitada pelas linhas divisórias que separam as

disciplinas;

          6° Onde a investigação tenta acompanhar a naturalidade dos raciocínios dos

alunos.

      O método da Comunidade de Investigação está baseado no diálogo

(LIPMAN, 1995, p. 31) e busca estar sempre harmonizado com a lógica das ideias

que possam ser apresentada ou desenvolvias em sala de aula. Muitas vezes a

investigação vai seguir por caminhos indiretos e os alunos discutirão temas que não

estão ligados diretamente ao assunto principal, porém como o processo todo é

internalizado ou introjetado pelos participantes, Lipman nos diz que estes passam a
pensar em “movimentos” que se assemelham aos “procedimentos”. Eles passam a

pensar como o processo pensa. (LIPMAN, 1995, p. 32)

 Este texto faz parte do trabalho chamado “Crítica a Escola” escrito por mim, Fabio Goulart. Para fazer o Download do trabalho Completo CLIQUE AQUI. Todos os dias será postado um novo texto deste trabalho aqui no site! Boa Leitura!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Quebrando Paradigmas na Educação

O vídeo abaixo vem bem ao encontro da Crítica a Escola que estou postando aqui no site.


Pra você que não leu algum dos textos clique no Título e BOA LEITURA!

1. A VIVÊNCIA ESCOLAR

1.1 NASCIDO PARA IR À ESCOLA

1.2 GUERRA NA ESCOLA

1.3 A RACIONALIDADE DA ESCOLA

1.4 ALUNOS DESINTERESSADOS OU AULAS DESINTERESSANTES?

2. SOBRE A COMUNIDADE DE INVESTIGAÇÃO

2.1 A REESTRUTURAÇÃO DO PROCESSO EDUCACIONAL

2.2 A EDUCAÇÃO COMO INVESTIGAÇÃO

2.2 A EDUCAÇÃO COMO INVESTIGAÇÃO



     Lembro-me que na maioria das aulas do meu tempo de escola os conteúdos

eram apresentados da seguinte maneira: primeiro líamos um texto ou o professor

escrevia no quadro alguma regra ou teoria de sua respectiva disciplina; depois nos

eram apresentados dois ou três casos onde aquela teoria poderia ou não ser

aplicada; por fim, tínhamos que realizar uma série de exercícios sobre o assunto,

onde supostamente aplicávamos aquilo que havíamos conseguido aprender do

conteúdo.

     Ou seja, excerto em algumas aulas, como as de um dedicado professor de

ciências que tive no Ensino Fundamental e nas aulas da já citada jovem professora

de matemática do Ensino Médio, partíamos dos resultados finais e buscavam suas

supostas finalidades. O problema deste método é que é completamente

anti-intuitivo. Para o professor que estuda e leciona determinada matéria há anos

esta anti-intuitividade pode não parecer tão evidente, mas quando se tem doze ou

treze anos de vida e nunca viu aquelas questões, tudo parece confuso, abstrato16 e

desestimulante.

     O processo educacional em sala de aula deveria abandonar esta postura de

ensinar “macetes” para se aplicar teorias em exercícios pré-elaborados e deveria

buscar um modelo parecido com o modelo de investigação cientifica. (LIPMAN,

1995, p. 31) O cientista primeiramente se envolve com um problema, depois

emprega o método de sua determinada corrente de estudo, após isso observa e

questiona as experiências obtidas, para só então obter os resultados e compreender

o que pode ser compreendido daquele empreendimento.
     Assim sendo, a metodologia na Escola deve se preocupar com a exploração

das problemáticas que fomentaram determinadas teorias. Instigando os alunos a

criarem suas próprias linhas de raciocínio e consequentemente aprenderem a

pensarem com a própria cabeça acerca das teorias e resultados obtidos em

determinada disciplina. Ou seja, a sala de aula deve ser convertida em uma

Comunidade de Investigação.


 Este texto faz parte do trabalho chamado “Crítica a Escola” escrito por mim, Fabio Goulart. Para fazer o Download do trabalho Completo CLIQUE AQUI. Todos os dias será postado um novo texto deste trabalho aqui no site! Boa Leitura!

16 Neste parágrafo a palavra “abstrato” assume o papel de “não possuir ligação com a realidade do

aluno”, tornando-se quase que incompreensível.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

2.1 A REESTRUTURAÇÃO DO PROCESSO EDUCACIONAL



     Para Lipman existem dois paradigmas contrastantes na prática educativa.

(LIPMAN, 1995, p. 28)

          A) Paradigma padrão da prática normal.

          B) Paradigma reflexivo da prática crítica.

O paradigma A carrega os seguintes pressupostos:

     A1: A educação consiste na transmissão de conhecimento. Assim sendo

existem aqueles que sabem e ensinam e aqueles que não sabem e aprendem, os

níveis de aprovação e as notas são as metas centrais de alunos e professores;

     A2: O conhecimento se refere ao mundo não havendo espaço para o

equivoco ou o ambíguo;

     A3: Existem disciplinas diferentes que não coincidem, mas que juntas formam

o universo do conhecimento;

     A4: O professor é uma autoridade no processo educacional, os alunos só

aprenderam aquilo que o professor sabe e transmite;

     A5: Os alunos só aprendem através da absorção das informações

transmitidas.


Por outro lado os paradigmas de B são:

     B1: A educação consiste na participação da Comunidade de Investigação, o

professor assume o papel de orientador e as metas de alunos e professores são o

desenvolvimento da compreensão e do julgamento;

     B2: O conhecimento se revela ambíguo e equivoco, devido a isto, os alunos
são estimulados a pensar sobre o seu mundo; 11

     B3: As disciplinas devem possuir questionamentos que transcendem seus

limites. Devem tanto serem criados problemas interdisciplinares quanto se deve

questionar a suas metodologias e lógicas internas;

     B4: O professor deve estar pronto para assumir erros, devendo manter seu

papel de orientador, porém sem se tornar autoritário;

     B5: Sempre deve haver a expectativa que os alunos irão pensar, refletir e

desenvolver sua razão para o julgamento. Deve-se abandonar qualquer crença de

que os alunos são seres passivos no processo ensino-aprendizagem;
     B6: A Escola não deve estar voltada a simplesmente transmitir uma série de

conteúdos e informações para os alunos, seu enfoque deve ser o desvelar das

relações contidas dentro dos termos investigados.

A educação tradicional, tal como é encarada pela maioria dos professores e

escolas da atualidade brasileira, carrega com sigo o paradigma padrão. Do outro

lado, o paradigma reflexivo pressupõe a educação com investigação.

      É evidente que existem diferenças radicais12 entre os dois paradigmas e suas

respectivas suposições. Visto que a maioria dos profissionais responsáveis pelo

processo ensino-aprendizagem trabalham com o paradigma padrão, é normal que

não aceitem e, pelo menos, não creiam na possibilidade da educação como

investigação.

     Neste momento do trabalho ainda é prematuro falar em “reforma
educacional”13, mas é evidente se queremos uma educação como investigação, é

necessário haver as devidas mudanças paradigmáticas quanto à quais metas devem

ser atingidas, quanto à relação entre professores e alunos, entre alunos e conteúdo

e, principalmente, sobre o que é ensinar.

      A pergunta sobre o que é ensinar deve ser encarada de maneira ambígua,

assumindo entre outras coisas as formas de “o que é possível ensinar?”, “como é

possível ensinar” e “quando que os alunos aprendem?”. Lipman nos destaca que no
paradigma padrão se supõe que os alunos “pensam” se aprendem14 o que lhes foi

ensinado, enquanto que no paradigma reflexivo os alunos pensam se participam
ativamente da Comunidade de Investigação.15(LIPMAN, 1995, p. 30)

     Com isto temos em linhas bem gerais as diferenças entre a prática

educacional padrão e a prática crítica e podemos avançar um pouco mais adentro

do conceito de Comunidade de Investigação de Lipman. Talvez já explorando a ideia
de educação como investigação, além do conceito de ensinar, o filósofo encara

outros conceitos básicos para qualquer teoria da educação, tais como:

questionamento, comunidade, racionalidade, criatividade e julgamento. Ao contrário

da maioria dos pensadores da tradição filosófica, Lipman não tenta explicar de

maneira clara os conceitos que está trabalhando, ele se utiliza de sua própria teoria

acerca do ensinar através da investigação e trabalha sempre com tais conceitos de

forma difusa, discutível, ambígua e, em alguns casos, até inexplicável.



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11 No texto do autor usa a expressão “no mundo”, porém resolvi substituir pela expressão “o seu

mundo”, pois julgo que cada aluno carrega em si um próprio mundo de conhecimento que precisa ser

confrontado com o mundo dos outros membros da comunidade de investigação afim que se

desenvolva o pensar critico acerca de si mesmo e de suas convicções acerca do mundo e dos fatos.


12 Falo em “diferenças radicais” no sentido de expressar que estas diferenças estão nas raízes dos

respectivos paradigmas, mas que também que são diferenças acentuadas e decisivas para

compreensão e aceitação das respectivas suposições.

13 Durante todo este trabalho ainda deve continuar prematuro falar sobre esta questão, afinal esta é

apenas a minha monografia de conclusão do curso de graduação em filosofia, é o primeiro grande

passo que pretendo dar em uma longa caminhada entre a educação e a filosofia, entre o educar e o

filosofar. Por isso mesmo com as conclusões que aqui serão apresentadas julgo que ainda estarei

muito longe de falar em “reforma educacional”

14 Em alguns casos, este “aprendem” é tão limitado que toma a forma de “decoram informações”.

15 Mais do que uma simples diferença, esta diferença conceitual sobre o que é “conhecer” . É um

motivo pelo qual pensadores e educadores que partem dos pressupostos da educação tradicional

poderão ter certa aversão a teoria da comunidade de investigação.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

2. SOBRE A COMUNIDADE DE INVESTIGAÇÃO

     Não sou daqueles que acham que os conteúdos concretos e objetivos da

educação básica tradicional padrão devêm ser completamente abandonados. Por

isso mesmo não acho que devemos investir em uma educação completamente não

diretiva, onde o professor é um simples facilitador do conhecimento e que os alunos

determinam o que deva ser ensinado e aprendido. Pelo contrário, julgo que os

conteúdos obrigatórios da educação básica são ótimos. São tão bons que nos doze

ou treze anos dedicados a este período da educação é basicamente impossível que

um aluno saia da Escola com domínio pleno de tudo aquilo que foi trabalhado.

Pode até ser que necessitamos incluir conteúdos como informática, educação

sexual, economia doméstica e regras de trânsito nos currículos das escolas. Mas a

questão “o que deve ser ensinado” se mostra completamente contingente ao

contexto social que cada escola está inserida. Assim sendo, esta é uma questão que

deve ser debatida por políticos, pedagogos e cientistas sociais. Principalmente por

terem trazido a obrigatoriedade do ensino de filosofia no Ensino Médio brasileiro,

julgo que estão se esforçando para realizarem um bom trabalho.

     Cabe à filosofia analisar questões como: “como podemos ensinar” e “como

devemos ensinar”. Para a primeira questão se faz necessário um amplo estudo entre

diversas áreas da filosofia e até de algumas ciências cognitivas. Já para efetuarmos

uma análise pré-prática da segunda questão, um trabalho de filosofia da educação

certamente é capaz de fornecer alguns apontamentos interessantes.

Com base nisso, inicio a partir deste ponto uma análise pré-prática da teoria

da Comunidade de Investigação de Matthew Lipman. Teoria esta que desde que

comecei a interessar-me pelo assunto me pareceu uma bem fundada alternativa

para a questão “como devemos ensinar”.


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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

1.4 ALUNOS DESINTERESSADOS OU AULAS DESINTERESSANTES?


     Foi escrito anteriormente com um tom meio de filme de ação que passados os

medos e incertezas iniciais, cada dia no jardim de infância era uma aventura cheia

de experiências e descobertas magníficas. Mas o que aconteceu depois disso? Não

lembro exatamente, mas lembro de que aos poucos o ato de ir a escola começou a

se tornar chato e sacrificante. Vou me concentrar um pouco neste ponto deste

capítulo. Entre o inicio do meu jardim de infância e o final do Ensino Médio a Escola

permaneceu com seu mesmo pressuposto básico: “Alunos vão à escola para

aprender”. Assim sendo, neste primeiro momento o problema não é está ai. Resta a

análise se são os alunos que se tornam desinteressados ou se as aulas se tornam

desinteressante?

     Lembro-me que minhas aulas do início do Ensino Fundamental eram quase

iguais as aulas do Ensino Médio, exatamente por isso não podemos culpar o modelo

das aulas pelo desinteresse. É fato que as crianças se desinteressam pelos estudos

com a chegada da adolescência, mas somente com esta premissa não dá para
culparmos o desenvolvimento biológico das crianças10 por este súbito desinteresse

pela Escola. Julgo, pelos argumentos que serão apresentados nos próximos

capítulos, que devemos investigar a natureza da educação escolar e seus

paradigmas padrões.

      Nos primeiros quatro ou cinco anos de vida tudo é uma grande descoberta e

desafio. A criança encontra-se rodeada por um universo completamente

problemático que estimula seu questionamento reflexivo a cada instante. Por mais

conturbado que possa ser a família sempre conserva estas características.

Provavelmente a criança espera que a Escola seja a substituta natural de todas

estas características e “magia” vindas do lar e da família. (LIPMAN, 1995, p. 23)

     Toda esta expectativa sobre a Escola acaba por ser frustrada, pois aos poucos a

Escola se mostra um ambiente, frio, estático e completamente estruturado,

totalmente diferente da Família. Seus conteúdos pragmáticos não conseguem
demonstrar a fluidez e a “calorosidade” das ricas sensações, boas e ruins, que a

criança encontrava na Família. Lipman nos diz que o mistério natural do ambiente

familiar é substituído por um ambiente estável e estruturado, onde tudo é regular e

explícito. A Escola acaba por ficar sem incentivos naturais ao pensamento,

exatamente o oposto do que o ambiente familiar era capaz de fazer na primeira

infância. Lembro-me que durante minha adolescência, eu não tinha a menor vontade

de acordar cedo para ir assistir as aulas do meu Ensino Médio. Os únicos incentivos

que me faziam desligar o rádio e o videogame e ir para a escola não eram naturais

nem vinham da natureza escolar. O primeiro era minha crença que somente com um

bom aproveitamento na escola seria possível que eu conseguisse uma boa bolsa na

faculdade e futuramente um emprego que pudesse transformar minha condição

social para melhor. E o segundo era o prazer de me encontrar com os amigos, flertar

com as colegas e com a jovem professora de matemática.

     Chamo estes incentivos de artificiais, pois não são fruto da natureza escolar

tal como ela é encarada hoje. O primeiro incentivo é fruto da crença particular de

cada aluno de que o estudo é o melhor caminho para o sucesso social. Quero

ressaltar que este incentivo é bem particular, pois não são poucos aqueles que

acreditam que o esporte, a loteria, o crime, o tráfico de drogas, etc.; são caminhos

mais rápidos e interessantes para este fim. Porém todos concordam que a Escola é

sempre um caminho que pode ser considerado.

     O Segundo incentivo é geralmente malvisto pela maioria dos professores,

porém sempre devemos considerar que jovens que, assim como eu, nasceram em

família humilde e foram criados em bairros periféricos, não possuem condições de

frequentar clubes sociais, cinemas, teatro, casas de culturas, etc. A maioria dos

jovens nesta condição precisa conciliar os estudos com o trabalho, de maneira que

sempre ou falta tempo, ou falta dinheiro. Mesmo passeios gratuitos como passear à

tarde num parque, ir num museu ou assistir um concerto gratuito, acabam por

“roubar” muito tempo e dinheiro. Isto porque estas atividades geralmente ocorrem

nos grandes centros urbanos, longe das periferias e como o transporte público

costuma ser muito caro e lento, mesmo gratuitos, estes eventos permanecem

inacessíveis para boa parte dos nossos adolescentes. Assim sendo, a Escola acaba

se tornando o “clube social” para muitos estudantes, um local para se viver a vida,

cultivar amizades e inimizades, descobrir seus talentos, arriscar vários amores, se

iniciar sexualmente, manter a conversa sempre em dia, etc. Não quero entrar por
enquanto nesta questão, mas para muitas pessoas o período em que frequentam a

Escola representa o ápice das suas vidas sociais. A Escola e os seus profissionais

devem estar cientes deste fato e por isso necessitam buscar alternativas para se

respeitar e aproveitar melhor este momento tão especial.

     Referente aos professores se poderia pensar: “Se são autoridade dentro da

sala de aula, por que não conseguem tornar a experiência escolar mais interessante

para os alunos?”. Porém questionamentos deste gênero são injustos com nossos

professores. Eles também são vítimas de um modelo escolar ultrapassado e que

pressupõe uma série de paradigmas que tornam o processo ensino-aprendizagem

desinteressante. Geralmente eles só estão aplicando aquilo que aprenderam na

faculdade ou com a experiência docente. Por fim, nas poucas vezes que tentam

arriscar mudanças metodologias em suas aulas acabam por serem desestimulados

por colegas, orientadores, diretores, pais de alunos e até pelos próprios alunos.

Neste momento não tenho nenhum argumento que me faça crer que não está

correto que os alunos devem estudar e aprender uma série de conteúdos que são

considerados básicos para o desenvolvimento do corpo de conhecimento de

qualquer cidadão. O problema está na forma com que com que isso é feito.

Geralmente se encara ‘investigação’ como investigação cientifica e ‘conhecimento’

como conhecimento científico. Se quisermos uma Escola mais interessante, nunca

podemos esquecer que também existem investigações filosóficas, artísticas e físicas

além das tradicionais investigações científicas que geram o conhecimento científico

que geralmente é a base do currículo escolar.

      O processo de ensino-aprendizagem deve englobar todas estas dimensões

do aluno, assim sendo os conteúdos devem estar sempre abertos para discussões e

diálogos. Deve-se alimentar a curiosidade e valorizar a criatividade de cada um, só

assim a Escola poderá ser tão interessante quanto o último lançamento na rádio ou

contra a incontrolável vontade de se avançar ao próximo nível de um bom jogo de

videogame.

     Fica evidente que a natureza escolar não consegue trazer incentivos

interessantes para o aluno e que os mesmos acabam por buscar incentivos artificiais

para suportar a maçante experiência de frequentar a Escola. Desta maneira, a

transformação das radiantes crianças do jardim de infância nos seres passivos e

acríticos do ensino médio é uma consequência natural dos paradigmas da Escola

tal qual a encaramos hoje. Já passou da hora de começarmos a debater e construir
novos paradigmas e pressupostos que nos levem a uma reforma real no processo

ensino-aprendizagem. As próximas partes e capítulos deste trabalho estarão

concentrados na apresentação da tese da educação a partir das Comunidades de

Investigação de Matthew Lipman. Teoria esta que julgo ser bem orientada para que

seja atingido o objetivo deste trabalho: criticar o engessado modelo de Escola

padrão e apresentar uma alternativa mais interessante e gratificante para toda a

comunidade escolar.


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10 Adolescer / aborrecer

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O que é Ética e Moral ? Quais suas diferenças ?

Realmente vale-a-pena ver o vídeo abaixo. Se trata de uma ótima introdução ao assunto feita pelo Professor Mario Sergio Cortella no programa do Jô Soares...

Assista e Descubra o que é ética e moral de um modo simples, engraçado e dinâmico na visão deste filósofo...


1.3 A RACIONALIDADE DA ESCOLA

      No fatídico ano de 2006 fui obrigado por lei a servir no exército brasileiro. De
fato sou voluntário a representar e defender meu país em qualquer circunstância,
mas não era voluntário para ficar um ano preso em um quartel seguindo ordens
burocráticas e tendo quase todas minhas energias físicas e psicológicas sugadas
em prol de objetivos banais e que jamais ficavam claro para nós.
     Eu e os outros milicos éramos obrigados a marchar horas e mais horas
abaixo do Sol forte, tínhamos que devorar nossos almoços em menos de um minuto,
precisávamos montar e desmontar os fuzis uma vez após a outra por milhares de
vezes, entre tantas outras atividades irracionais que necessitávamos realizar. Senti-me
rodeados por ignorantes, mas em pleno auge de meus dezoito anos e já iniciado
na faculdade de filosofia, percebi que todas as missões absurdas que tínhamos que
realizar eram mais que simples ordens vindas daqueles que estavam por cima na
cadeia hierárquica, eram ordens que visavam a um fim que é a racionalidade do
Exército, pelo menos para Lipman. (LIPMAN, 1995, p. 21)
     As ordens militares que recebíamos visavam nos adestrar para o combate e
para a vitória militar, ou como bradava o senhor Capitão Menezes após cada
formatura semanal: “O exército poderá ficar cem anos sem ser acionado, mas não
poderá ficar um minuto sem estar preparado”.
     Tal como o exército, a Escola é uma instituição burocrática, detentora de uma
racional distribuição de autoridade e hierarquia, porém seus objetivos são muito
diferentes. Não se deve adestrar crianças para o combate em uma escola! O
objetivo da Escola enquanto instituição deve ser a formação de pessoas educadas e
razoáveis. Para Lipman ser razoável não significa fazer uso da racionalidade pura.
Significa o uso da racionalidade temperada por doses de julgamento.9 Algo que falta
 e precisamos em uma sociedade democrática, exatamente por isso que a Escola
 deve buscar ter sempre estes objetivos em vista.
      Para atingir estes objetivos o filósofo segue a seguinte lógica:

      1° Uma escola não pode agir como se fosse uma empresa, visando o lucro e
 o bem-estar de seus donos e administradores;

      2° Uma escola deve tratar razoavelmente seus aluno s se deseja que eles se
 transformem em seres razoáveis;

      3° Deve sempre existir “razões melhores” para usar determinados currículos e
 textos, deixando tantos outros de lado;

      4° Crianças educadas em instituições que se fundamentam na razão têm
 mais possibilidades de serem razoáveis do que crianças educadas sobre métodos
 irracionais;

      5° Crianças educadas sobre métodos irracionais geralmente se tornam
 adultos mais irracionais.

      .: Portanto, se desejamos mais pais que sejam mais racionais na criação de
 seus filhos no futuro, é necessário que a Escola comece a ser mais razoável hoje.
 (LIPMAN, 1995, p. 22)

      É possível educar para a racionalidade sem ensinar a pensar? No livro “O
 Pensar na Educação” (LIPMAN, 1995, p. 22) é comentado que Kant enfrentou este
 mesmo problema ao considerar a possibilidade de ensinar as pessoas a pensar por
 si mesmas enquanto crianças. Mas ele mesmo alerta que devemos ter em mente
 que a racionalidade de Kant é muito diferente da sua. Para Kant a racionalidade
 estava baseada na obediência voluntária de cada indivíduo a princípios
universalmente generalizáveis, enquanto que para ele a racionalidade é o
 compromisso do desenvolvimento da investigação por parte de cada indivíduo.







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9 Para Lipman, o julgamento é um uma espécie de arte e, devido a isso, poder-se-ia argumentar que

não pode ser ensinado. Para o filósofo, saber se uma virtude, tal como o julgamento, pode ser

ensinada é uma questão que surgiu ainda em Platão, no diálogo entre Sócrates e Ménon(PLATÃO,

1992), mas que permanece atual até hoje (LIPMAN, p. 14 e 377). A filosofia da educação não

necessita responder esta pergunta neste momento, pois mesmo que futuramente se consiga provar

que uma virtude realmente não possa ser ensinada, todos desde já concordamos que habilidades e

virtudes como a capacidade de julgar não podem ser reprimidas ou omitidas no processo

educacional. Assim sendo, neste momento devemos buscar formas de disponibilizarmos um

ambiente escolar adequado para que se possa fortalecer e exercitar estas virtudes. Como será

expostos nas próximas páginas deste trabalho, a proposta de Lipman para esta questão é a

comunidade de investigação.